O Quanto Você Precisa da Opinião Alheia?

É bem provável que eu utilize esse espaço mais para falar sobre coisas que me incomodam e também não tenho a pretensão de ofender ninguém com minhas opiniões, mas se isso acontecer, tanto faz, são apenas opiniões.

É que descobri esse video da C&A hoje:

Desconhecia essa ação, procurei a opinião do povo na fanpage da marca, mas não encontrei nada sobre. Há alguns comentários no video dizendo que é uma “ideia show =)”, mas gente, só eu acho que alguém leva isso a sério é uma pessoa MUITO babaca? Terminando de ver o video, minha reação foi de negação: “não é possível que alguém vai levar isso a sério, ninguém pode ser assim”, pensei.

Se os fãs gostaram, que bom para a marca, não critico a ação de marketing em si. Só acho meio surreal uma pessoa ter que olhar no cabide da peça que ela gostou o número de likes que vários estranhos, que nada têm a ver com ela, deram. Aliás, é ótimo para a marca saber se está no caminho certo na hora de fazer o planejamento de coleção. Esse é o melhor indicador que uma marca pode ter: a opinião direta do seu público-alvo. É uma maneira que pensaram que possa ser divertida para o cliente e eficiente para eles. Então como ação de marketing, acho ótimo.

Mas gente, será que a necessidade de aprovação alheia chega a esse nível? De acordo com o video, as mulheres não conseguem decidir sozinhas o que é bom para elas. É claro, todos pedem opiniões para amigos. Em alguma coisa você se sente mais seguro que outras. Eu preciso de opiniões para me vestir para ir a casamentos, coisa que raramente acontece no meu círuclo social #hardtimes Mas para comprar roupas em geral dificilmente peço, isso é algo que me sinto muito segura quanto ao meu gosto pessoal.

Eu não sei, mas considero gosto uma coisa TÃO pessoal, que não consigo ver com bons olhos pessoas que moldam seus gostos à partir gostos dos outros. Que seja, vivemos em uma sociedade e é inevitável que isso aconteça. Mas gente, a preocupação com isso chega a ponto de ter de olhar a aprovação de estranhos em um cabide? Roupas que ainda nem são ousadas demais, pois a C&A não é uma marca necessariamente ousada.

Acho incrível o medo que as pessoas tem em cometer um “crime fashion” e não colocam a cabeça para pensar em novas possibilidades e serem criativas (viu, Tamara, saia do preto e compre o caaquinho amarelo hehe). E já que sempre acham que o que as “papisas da moda” falam é lei, fica a dica de Regina Guerreiro: “Nem na moda nem na vida existe certo ou errado. É melhor cometer um erro fundamental do que cair na mesmice mundial.”.

Recado dado. Moda é para divertir, não oprimir. Ou pelo menos deveria ser assim.

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Quando a Moda e a Música se dão bem

É claro que quando ouvimos uma banda ou artista novo, estamos preocupados com sua música, se é boa e se te agrada. Sendo esses dois fatores positivos, já é motivo para você amá-los. Agora, sinceramente, quando você descobre que o artista em questão faz ótimos clipes e tem uma estética que dá identidade ao seu trabalho, você o ama ainda mais, afinal, todos gostamos de som e imagem juntos e se complementando. Isso o ajuda a ter sucesso e também é muitas vezes feito por marketing mesmo, mas o melhor é quando os músicos se mostram despretensiosos quanto a isso, tipo “eu tenho bom gosto e faço coisas legais naturalmente.”

E toda essa introdução é para falar do novo video da faixa “Suffocation” do Crystal Castles, de seu segundo disco Crystal Castles II. O video conta com a performance de Alice Glass e foi feito em parceria com a Vs. Magazine, onde estão dizendo que é um “fashion video”. Foi dirigido pelo parceiro de banda de Alice, Ethan Kath.

Você pode assistir o video aqui.

Crystal Castles

O video de Suffocation tem uma atmosfera gótica e obscura, como é caractéristico da dupla (e eu adoro!), e foi filmado em uma mansão abandonada em Nova Iorque. Cheguei a achar meio repetitivo até, tanto para um clipe musical quanto para um video de moda. Gosto da estética, mas poderia nos mostrar mais.

Imagens de Suffocation

Imagino que como muitas marcas de moda não estão mais focando só em fotos para editoriais e campanhas, mas investindo muito em videos, muitos portais de moda também irão para esse caminho.

Acho também interessante o envolvimento de Alice com a moda, apesar de ainda estar bem imaturo, mas já podíamos imaginar que ela tem interesse pelo assunto. Ela não usa roupas espalhafatosas, tampouco segue ou lança tendências, mas tem um estilo próprio, que é o mais importante. Aliás, seu estilo é bem simples mesmo, talvez passe uma falsa ideia de que nem há preocupação com isso.

Fotos: Reprodução
Fotos: Reprodução

Se você não conhece Crystal Castles, eu recomendo muitíssimo. Eles já têm dois álbuns lançados e estão para lançar o terceiro ainda esse ano. Enquanto isso, alguns videos da dupla:

Topshop no Brasil…e daí?

A notícia de que vai abrir uma loja da britânica Topshop em São Paulo se espalhou há 5 dias atrás, e, com isso, chamadas do tipo “Preparem-se Meninas!” ou então “Finalmente!”. Mas na real, pela experiência que temos de viver no Brasil, que diferença isso vai fazer? Nenhuma.

Claro que a Topshop é uma rede de muito sucesso por diversos motivos, e um deles são suas parcerias, como as coleçãos da modelo Kate Moss ou da ótima coleção da estilista grega Mary Katrantzou.

E o que que a gente mais gosta nas redes de fast-fashion? Muita variedade por preço baixo, não é? Especialmente das redes gringas como a Topshop, H&M, Forever 21 e Zara, que fazem muitas coisas diferenciadas com preço baixo. Quer dizer, preço baixo só se for lá fora.

Foto: reprodução. Kate Moss para Topshop

As lojas de departamento definitivamente não têm como público alvo a classe A, sua proposta é outra. Elas confecionam muitas coisas na China a custo mínimo e copiam muitas peças de estilistas famosos, de modo que o produto não tem necessariamente qualidade, mas é ótimo em design.

Entre as redes fast fashion, a Topshop não é das mais baratas mesmo, mas ainda assim, seu foco é atingir uma massa de consumidores, ou seja não é exatamente para o público A. Ao contrário do que será no Brasil, já que a primeira loja da rede será no Shopping JK Iguatemi, localizado em área nobre da cidade de São Paulo.

Foto: reprodução

Os preços aqui no Brasil parece que vão variar de R$200 a R$900. Tem como pagar isso em uma peça a qual o conceito fast-fashion é “live fast, die young“? Parece que esse tipo de notícia nos dá uma falsa alegria.

A Topshop completa em 2012 dez anos de apoio à London Fashion Week e com isso criou algumas parcerias para comemorar, entre elas um video feito pelo fotógrafo lendário, Nick Knight, que pode ser visto aqui:

Por um lado nos animamos por uma loja de roupas muito legal e supostamente barata estar perto de nós agora. Pensamos que estaremos mais próximas às meninas gringas que têm a sorte de poder comprar roupas legais por preços mais baixos. Aí tentamos ver a novidade mais de perto e percebemos que continuamos muito distantes dessas realidade.

Se a culpa são dos impostos, do governo, da cotação do dólar ou do povo brasileiro que não se importa de pagar R$2000 em um celular, é algo que não acho que eu deva me ater. A única conclusão é: Topshop no Brasil, e daí?

Universo Criativo – Projeto Brasil 02

Durante o SPFW, a exposição “Universo Criativo- Projeto Brasil 02” era uma das atrações do evento, na entrada da bienal. Após o término da semana de moda de São Paulo, essa exposição permaneceu e fica até dia 10 de fevereiro (essa sexta).

Naquele espaço gigante, encontram-se enormes estruturas de ferro, roupas penduradas, fotografias e telões com estilistas, fotógrafos, sociólogos, entre outros, falando. E tudo ao mesmo tempo. Se quiser ouvir e entender, tem que chegar pertinho e ficar embaixo da caixa de som de cada um.

A exposição trata sobre a visão dos estilistas em sua relação com a moda e o Brasil, fazendo uma síntese sobre esses dois e também dão sua opinião de como se sentem em relação a isso. Também contam suas inspirações e como se dá o processo criativo para o desenvolvimento de coleções.

Eu não tirei fotos de todos, tampouco ouvi todos os depoimentos, e ainda não tinha uma câmera boa para registrar bem. De qualquer forma, ver ao vivo faz toda diferença, porque você consegue ver de perto o material, tecidos, bordados e texturas, coisa que em fotos de desfile não acontece.

Oscar Metsavaht

Uma das primeiras estruturas é a do Oscar Metsavaht e é interessante notar que a apresentação está focada nele e não na Osklen em si. Junto às peças de Oscar, estavam também expostas fotografias de Mario Cravo Neto.

Oscar Metsavaht (Osklen)
Oscar Metsavaht (Osklen)

A Osklen sempre atrai os olhares estrangeiros que vêm para o Brasil ver as semanas de moda, é a tida por muitos como uma das marcas que representam melhor a moda brasileira. E não posso concordar menos: é sempre muito bem feita, original, criativa e misturado ao DNA da marca, está o DNA brasileiro. Em todos os desfiles e coleções pode-se notar o “Brasil” na Osklen da maneira mais natural e espontânea possível.

E essa sobreposição de tules de malha flúor, eu amo!

Também teve Ronaldo Fraga:

Ronaldo Fraga

Foi necessário um certo contorcionismo para desviar das estruturas de ferro na hora de fotografar.

Ronaldo Fraga
Ronaldo Fraga (cenas do desfile)
Ronaldo Fraga
Ronaldo Fraga
Ronaldo Fraga

E junto à estrutura de Ronaldo, estavam algumas fotos lindíssimas de Claudia Andujar.

Claudia Andujar

Pedro Lourenço expõe sua ótima coleção de P/V 2012 com estampas da fauna e flora brasileira.

Pedro Lourenço (foto: style.com)
Pedro Lourenço (Foto: style.com)

E um vestido de couro da coleção de O/I 2010:

Pedro Lourenço (foto: style.com)

E junto a ele, maravilhosas fotos da cidade de São Paulo de Cristiano Mascaro.

Cristiano Mascaro

Ao seu lado, estava Reinaldo Lourenço mostrando algumas peças da coleção P/V 2009, rica em detalhes e trabalhos manuais.

Reinaldo LourençoReinaldo Lourenço
Reinaldo Lourenço
Reinaldo Lourenço
Reinaldo Lourenço
Alexandre Herchcovitch

Alexandre Herchcovitch tinha muitas peças penduradas de coleções passadas, e uma coisa muito legal é que tinham peças-piloto, com anotações e marcações à caneta no proprio tecido:

Alexandre Herchcovitch
Alexandre Herchcovitch

Alexandre falou que prefere refazer coisas do passado do que criar peças que estejam “inventando” o futuro, e define criação como uma materialização de ideias. O que gosta em seu trabalho é a liberdade de fazer o que quiser e gosta de “desafiar os tecidos” e dar um novo uso a eles. Um tecido de festa fazer com que seja casual e vice-versa.

Alexandre Herchcovitch
Alexandre Herchcovitch
Alexandre Herchcovitch

Conta também que em suas criações procura satisfazer a si mesmo antes do que qualquer coisa, e que a cada nova coleção, tenta aperfeiçoar-se e aprender coisas novas.

Sobre o Brasil, não tem uma imagem do país em suas criações, a não ser que este seja o tema específico de suas criações, como já trabalhou com temas de festa junina, orixás e Carmem Miranda. Na verdade, o estilista diz estar em uma fase a qual não gosta do Brasil, mas gosta da cidade em que vive, São Paulo.

Alexandre Herchcovitch
Alexandre Herchcovitch

Danielle Jensen tem trabalhos muito interessantes em materias também. A blusa abaixo é de fios ded nylon (parece aquelas sacolas de feira BEM antigas, sabem?):

Danielle Jensen
Danielle Jensen
Danielle Jensen
Danielle Jensen

E recortes vazados é o que estamos vendo muito por aí ultimamente, né?

André Lima também estava lá e é outro que valeu a pena ver ao vivo pela riqueza de suas peças:

André Lima

André conta que suas roupas tem uma relação com a mulher “feminina, maluca, brejeira e agressiva”, e que a mulher brasileira tem uma maneira diferente de se portar das outras, mas isso se dá nos pequenos detalhes: como ela mexe no cabelo, como ela se senta ou conversa. Teve muita influência também de ver sua prima que era uma estilista em Belém e das mulheres de lá.

André Lima
André Lima

As peças da Neon estavam expostas com os comentários de Dudu Bertholini e Rita Comparato. Dudu diz que o brasileiro tem mais inteligência emocional devido às suas dificuldades e com isso sabe lidar melhor com as pessoas. Também diz que o estilista deve ter uma percepção aguçada para traduzir as coisas de seu universo para o mundo de fora.

Dudu Bertholini e Rita Comparato

Essa peça de O/I 2010, o mais legal foi ver que ela é feita de neoprene. A Neon não é das marcas que mais me agradam , mas foi divertido ver de perto.

Outra coisa que o dudu falou, é que na criação é importante estar aberto para coisas que aparecem no meio do caminho durante o processo, e que criação tem muito a ver com espontaneidade.

Dudu Bertholini e Rita Comparato

E para o fim desse post, temos Glória Coelho que também contou um pouco sobre suas criações e que também foi muito bom ver as peças de perto.

Glória Coelho

Glória parece estar passando por um momento mais ligado à Metafísica, sendo essa um de seus temas da sua última coleção. Com isso ela também falou que através disso, passa amor para as peças que cria (e que isso faz toda a diferença) e que esforço e trabalho valem mais que genialidade.

Glória Coelho
Glória Coelho

Essa foi uma visão bem geral da exposição que é enorme e que eu também só fui ver nessa última semana, infelizmente, mas que valeu muito a pena.

Búzios

Búzios é, além de ser muito visitada por brasileiros e gringos pela sua beleza natural, também é conhecida por uma vida noturna agitada.

Quanto mais perto do centro você quiser ficar hospedado, mais gastos vai ter com comida – não é preciso ir em restaurante sofisticado para pagar caro, infelizmente – mas você pelo menos consegue economizar com táxis (R$15 – preço fixo). Por ser turística, é uma cidade cara mesmo e se você quiser sentar sob a sombra de guardassol , vai ter que desembolsar 20 pratas para o quiosque, pelo menos na Praia do Forno. Apesar disso, foi a praia mais linda que visitei.

Praia do FornoPraia do Forno

 

Comida do Quiosque: R$50

Existem também táxis-lanchas que levam a algumas praias, mas apenas as da costa perto do centro da cidade, como é o caso da Praia Azeda.

Praia Azeda

Uma das coisas mais interessantes de Búzios é como esta pequena cidade é voltada para gastronomia. Encontra-se lá restaurantes de comidas de diversos países e sempre muito charmosos. Notei que mesmo se você decidir comer em um quiosque ou boteco para economizar, o preço será quase, ou até maior que de um restaurante. Nesse caso, acho que vale à pena comer uma porção de camarão em um lugar com mais qualidade e confortável que vai tomar tanto o seu dinheiro quanto um mais simples.

Restaurante Aquarium
Restaurante Aquarium

Este é o Restaurante Aquarium e fica na Orla Bardot. Não o experimentei para poder exprimir uma opinião sobre seu menu, mas as fotos mostram como a natureza ajuda  – e muito – na “decoração” dos comércios, não? O Café View também conta com essa ajudinha da natureza.

Café View
Vista do Café View

Esse café tinha também sorvete, que foi a única coisa que eu consumi e sobre ele não há nada excepcional para falar. Sorvete é sempre bom, né, mas em relação a outros que a cidade oferece, fica bem para trás. Além do preço não ser nada amigo, coisa de R$ 60 o quilo. Mas, ah, o nome do lugar pelo menos é justo, né?

E apesar da cidade ser de praia, a noite cai e continua esquentando. Búzios é uma cidade noturna, sendo que sua rua principal, a Rua das Pedras, fica MUITO cheia à noite de pessoas passeando, comendo, comprando e consumindo.

Travessa dos ArcosTravessa dos Arcos
Travessa dos Arcos
Galeria das Pedras

E para ferver a noite inteira, Búzios tem os clubes Pacha e Privilége. Assim, não fui em nenhum dos dois, mesmo porque acho que não fazem muito meu estilo. Mas acho que o camarote da Pacha acaba saindo na frente de muita balada por aí com uma vista dessas, não?

Vista do Camarote da Pacha
Fachada da Pacha

Se você vai para ficar apenas alguns dias em Búzios, não lhe faltará entretenimento, com certeza. Muito menos lugares para comer bem, mas isso deve ser mostrado separadamente em outro post.

Só por sua beleza natural, não tem como não gostar.

Restaurante Aquarium: Av. Rua José Bento Ribeiro Dantas, 412 (Orla Bardot)

Café The View: Rua das Pedras, 27, Lj 7

Pacha: Rua das Pedras, 151

Privilége: Av. José Bento Ribeiro Dantas, 550 (Orla Bardot)

A Boca Suja de 2012

Em 2012 a rapper de Nova Iorque, Azealia Banks, deve crescer (mais) e aparecer (mesmo). Apesar de já ter dado entrevistas para a BBC, Azealia por enquanto é conhecida no meio underground, mas merece o mainstream, visto que sua originalidade não pode passar despercebida.

Foto: reprodução

Com 20 anos, a MC de Harlem começou seu sucesso com a música “212”, e nela descarrega palavrões comandados por uma batida forte e crua e que não te deixa parado – um must have para festas.

Em dezembro de 2011, Azealia lançou “Liquorice” provando mais uma vez seu talento, um som dançante, mas mais leve que “212”.

Foto: reprodução

O visual 80’s de Azealia também é delicioso, faz até lembrarmo-nos de nossa infância e dão uma aparência mais jovial e inocente à rapper (coisa que sabemos que ela não é).

Foto: reprodução

Azealia Banks aos poucos está mostrando para que veio, já teve sua música em um episódio da série “Skins” e ainda nesse ano esperamos vê-la se erguer cada vez mais.